Revolução Fintech: o movimento que vem mudando o mercado financeiro

Você já parou para pensar como o dinheiro e o mercado financeiro evoluíram ao longo do tempo? 

A evolução da humanidade, em conjunto com a tecnologia, cada vez mais transformam a relação do ser humano com o dinheiro, e estamos vivendo um momento em que esta transformação é ainda mais acelerada.

Do escambo ao pagamento sem contato: a evolução do dinheiro

Você já imaginou como era o mundo antes do dinheiro? Como será que as pessoas adquiriam produtos e serviços que elas estavam necessitando ou desejando? 

A resposta para esta pergunta é através do escambo – em outras palavras, por meio de trocas. Por exemplo, vamos imaginar que uma pessoa plantava apenas arroz, enquanto outra plantava apenas feijão. 

Caso um quisesse consumir o que o outro plantava, eles precisavam acordar a troca de um item pelo outro.

Essas trocas nem sempre davam certo, por conta da falta de decisão entre as partes.

Logo, foi tornando-se comum alguns itens que serviam como moedas de troca, já que quase todo mundo os aceitava. Dois grandes exemplos destes itens foram o sal e o gado. 

Porém, o primeiro não era tão simples de ser medido e era fácil de perder, enquanto o segundo não era nada prático para transportar de um lugar para outro na hora da troca.

Foi com o avanço dos metais que estes problemas foram resolvidos e deram origem às moedas.

Metais como o ouro e prata acabaram virando a primeira forma de dinheiro, de uma forma de fácil mensuração (através dos números estampados) e de fácil portabilidade.

Mas outro problema acabou surgindo: os furtos. Como estes metais tinham um grande valor, eles acabaram virando alvo dos saqueadores, que entravam nas casas em busca destas moedas. 

Várias pessoas, como uma forma de proteção, deixavam estas moedas com o ourives, pessoas que faziam compra e venda de metais preciosos e, em troca, davam recibos. 

Estes recibos acabaram também virando meio de troca, dando origem ao papel moeda. Com isso, também surgiram os bancos, como o local para guardar o próprio dinheiro.

O tempo foi passando e o dinheiro continuou evoluindo. Veio a figura do cartão, caixas eletrônicos, internet banking, mobile banking, e por aí vai.

2008: o ano da virada

Para o mundo financeiro, 2008 foi um ano de mudança de chave. 

Foi o ano de uma grande crise econômica mundial, tendo início a partir de calotes que bancos norte-americanos tiveram após terem passado vários anos emprestando dinheiro para maus pagadores (o chamado “crédito podre”). 

Mas, ao mesmo tempo, Steve Jobs lançava o primeiro iPhone, que trouxe uma revolução para a tecnologia mobile, e, Satoshi Nakamoto lançava o paper da criação da criptomoeda Bitcoin.

A desconfiança com as instituições financeiras tradicionais e a evolução da tecnologia acabaram, então, favorecendo um ambiente para o surgimento de alternativas, tornando o mercado mais competitivo, com foco nos usuários e em novas experiências. 

Estas alternativas acabaram recebendo o nome de FinTechs, expressão que junta justamente as palavras Finanças e Tecnologia.

O Movimento Fintech: uma nova cara para o mercado financeiro

O ano de 2008 caracterizou-se pelo surgimento do Movimento Fintech como um todo, porém, antes disso, algumas iniciativas já mostravam soluções que uniam tecnologia e finanças, como o caso do PayPal, nos EUA, em 1998, ou o PagSeguro, no Brasil, em 2006.

No entanto, como mostramos, 2008 abriu a porteira para diversas alternativas aos produtos e serviços financeiros tradicionais. 

Enquanto os grandes bancos ao redor do mundo concentravam todos os serviços numa única instituição, as fintechs surgiram oferecendo soluções pontuais e, muitas vezes, nichadas.

A partir disto, podemos dizer que diversas categorias de fintechs foram criadas: serviços digitais (contas e bancos), empréstimos, pagamentos, investimentos, seguros, gestão financeira empresarial, gestão financeira pessoal, câmbio, criptomoedas, dentre outras.

Se olharmos o Brasil, ele acabou virando um dos principais berços mundiais para estas novas empresas, por ser um país com um grande número de desbancarizados e ter um mercado bancário altamente concentrado. 

Fora isso, as instituições financeiras sempre figuravam na lista das empresas mais reclamadas, por conta das burocracias, altas taxas e problemas nos atendimentos.

Como está o movimento hoje?

De 2008 até agora, o Movimento Fintech não parou de crescer no mundo todo. Aqui no Brasil, neste momento, de acordo com o Distrito Fintech Report 2020, já são 742 fintechs espalhadas nas mais diversas categorias.

E, neste universo de fintechs, há também uma grande diversidade. Existem desde fintechs menores, até grandes grupos financeiros sendo formados, como é o caso dos unicórnios Nubank e Ebanx.

Além disso, há as empresas que já abriram capital em bolsas de valores, como Banco Inter, PagSeguro e Stone.

Os próprios bancos acabaram vendo a força deste movimento e passaram a se movimentar.

Ambientes de inovação foram criados, fintechs foram desenvolvidas dentro de grandes bancos, e estes também participaram em rodadas de investimentos.

Por tudo isso, podemos perceber como o movimento veio para ficar, e, mais do que isso, mudou a forma como as pessoas se relacionam com produtos e serviços financeiros. 

Quem ganha neste processo todo são os usuários, que passam a ter opções personalizadas de acordo com o que estão buscando.

Artigo produzido por Victor Barboza, especialista em finanças e fundador da GFCriativa.

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