O que é a Síndrome de Impostora e como ela afeta a vida das mulheres?

Muitas mulheres são reconhecidas como referências em suas áreas profissionais, têm currículos invejáveis e ocupam espaços de poder socialmente reconhecidos.

Porém, ainda é comum que várias delas sintam não ser capazes de fazer o que fazem, não estar à altura do reconhecimento e não ter confiança ao apresentar resultados, mesmo quando eles são excelentes e elas dominam os conteúdos.

Essa falta de autoconfiança que afeta corpo e mente das mulheres é conhecida como Síndrome de Impostora. Essa sensação pode ser ainda mais intensa quando a mulher lida com um público predominantemente masculino, como ocorre, hoje, no mercado de tecnologia e finanças. Essa síndrome afeta, inclusive, celebridades, como a atriz Kate Winslet e a cantora Jennifer Lopez.

Muitas mulheres que sofrem dessa síndrome relatam que temem que, a qualquer momento, algum colega de trabalho, especialmente os homens, vai apontar as fraudes profissionais dela, mostrando-a como uma “impostora”. 

Definição e origem

De acordo com a Associação Americana de Psicologia (APA, em inglês), essa síndrome pode vir acompanhada de ansiedade e depressão, referindo-se a uma falta de autoestima para desempenhar uma função em espaços tradicionalmente masculinos.

Uma pesquisa realizada na Europa, pela empresa Orange Business Services, apontou que 52% das mulheres relataram sentir-se “moderadamente intimidadas” ao discutir tópicos com um público masculino, e 5% sentiam-se “extremamente intimidadas”.

A diferente socialização entre homens e mulheres, desde os primeiros anos, é um aspecto fundamental para compreender esse problema. Ao longo da vida, ambos gêneros vão sendo ensinados que as funções tradicionalmente associadas aos homens são as que merecem ser valorizadas e reconhecidas, inclusive, monetariamente. 

Essa associação entre homens e alguns tipos de trabalho acaba por intimidar a participação de mulheres nessas áreas. Já os trabalhos mais associados ao feminino, muitas vezes, nem sequer são remunerados, como aqueles voltados para o cuidado e a manutenção da casa.

Consequências

Uma das consequências dessa sensação de falta de autoestima, acompanhada por elevada autoexigência, é a busca incessante por trabalhar ainda mais e ter um desempenho impecável, a fim de ter direito ao reconhecimento. 

Alguns exemplos disso são: não conseguir desconectar do e-mail do trabalho por tratar cada mensagem como urgentíssima, além de deixar de almoçar para resolver problemas rapidamente para mostrar serviço. A longo prazo, esses hábitos acarretam graves impactos sobre a saúde física e emocional das mulheres, afetando as suas relações com familiares, amigos e parceiros sexuais.

Outro impacto importante refere-se a não responder e se colocar em espaços públicos, deixando que outras pessoas falem por você por medo de expor-se e dizer algo que mostra que elas não merecem estar naquele cargo, para não incomodar ou entrar em conflito com outras pessoas.

Ações positivas

O primeiro passo para quem sofre da Síndrome de Impostora é reconhecer essa falta de autoestima e ver quais são as situações em que a sensação apresenta-se mais intensamente. Compare a avaliação que você faz de si mesma e a análise que outras pessoas fazem sobre você no ambiente de trabalho.

A partir disso, é preciso estar atenta à linguagem que você utiliza e outras pessoas usam em relação a você. Em vez de falar “sinto que este é o caminho a seguir”, prefira expressões como “acredito que este é o caminho a seguir”. Não tenha medo de errar, especialmente, quando for falar em público, lembrando que um erro não define tudo o que você construiu na sua carreira.

Outra dica é aceitar elogios e não encarar como “sorte” quando você lidera um projeto ou uma tarefa que acaba sendo bem-sucedido. Além disso, não aceite afirmações de outras pessoas de que esse sucesso foi obtido por causa do seu “esforço extra” e lembre-se de que a sua capacidade estrutura todo o seu trabalho.

Por fim, é importante ter uma rede de apoio, pessoas com que você se sinta confortável para compartilhar temores e erros. Se for possível, procure profissionais, como psicólogos, para estabelecer caminhos para lidar com a síndrome, com o objetivo de não se sentir impedida de realizar o seu trabalho no escritório e em quaisquer outros espaços.

Texto: Gear Seo

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