Nomenclaturas do design para leigos

Preciso de um logotipo ou de branding? Ou será uma identidade visual?

Quando você inicia uma empresa, chega no momento de pensar na comunicação do seu negócio ou serviço e contratar um designer.

Agora, como saber qual profissional contratar para fazer sua marca e como comunicar ao seu escolhido a sua ideia?

Pela minha experiência de 19 anos como profissional da comunicação, os clientes não fazem ideia de como fazer isso.

Pensam que só precisam de um logotipo, chegam com uma ideia de nome feito em família ou entre amigos, sem se preocuparem com o aspecto legal ou como vão aplicar esta marca para que tenha uma imagem de marca consistente e não só um logo flutuante.

Então vou solucionar as dúvidas mais comuns deste início.

Para começar, très important, pense aonde a sua marca estará em 5 anos, se tudo correr como você espera.

E saiba qual o seu propósito ao criar a sua empresa, qual o problema do mundo, país, bairro que você está resolvendo com este negócio, produto ou serviço.

Nome do seu negócio

Criar um nome hoje é algo difícil mesmo, virou até disciplina: se chama Naming (explico um pouco mais neste artigo).

É preciso saber se este nome escolhido está disponível nas redes sociais importantes para o seu negócio, se está competindo no Google com alguma outra grande empresa de outra área (que vai investir muito mais que você em marketing digital e vai tomar toda a 1ª página de resultados da busca), se está livre para o registro no INPI, se não faz parte dos nomes proibidos para este registro.

Além disso, tem os nomes descritivos (Banco do Brasil), simbólicos (Animale) e imaginários (Hopi Hari), como saber qual o melhor para o seu público?

Se você quer ter uma marca durável, invista no profissional de Naming e no registro da marca com um escritório de registro, pois o logo pode precisar de atualização, mas o nome tem que durar para sempre, se possível.

Dê o valor necessário ao nome do seu negócio!

Dica valiosa: com o nome (ou até com os 3 finalistas) na mão, registre seu endereço online, antes que outra pessoa o faça, no registro.br (R$ 40) e também as redes sociais que achar importante.

Se ele for um .com, corra logo no register.com, porque o mundo inteiro quer este domínio.

Logotipo, logomarca ou identidade visual?

Logotipo ou logomarca é a mesma coisa: o conjunto de símbolo e texto, ou tipografia específica e texto, que compõem a sua marca, sem o slogan. O slogan está na família do Naming acima.

Identidade Visual é o conjunto das formas, cores e tipografia que vão apoiar seu logo e fortalecer a sua marca.

Por exemplo, o McDonald’s usa o vermelho e o amarelo na sua comunicação, sinalização e mobiliário para se diferenciar; a Coca usa o vermelho, a forma da garrafa (que é inclusive registrada como marca tridimensional) e a onda; a Oi tem uma família tipográfica criada  para os seus títulos, a Orator OI, usada sempre em caixa alta.

É melhor que seja criada pelo mesmo profissional que criou a marca, para que seja mais consistente com a ideia inicial.

Aliás, melhor ainda se for criada pelo mesmo profissional (ou agência) de branding, que criou o nome e o logo, porque o conceito não vai precisar ser passado para outro profissional, afinal já nasceu com ele diretamente envolvido. Ou então, importante entender bem o processo e passar para o novo profissional.

O que eu preciso para começar?

Quando você tiver a sua marca criada, nome e logo, você vai começar a trocar emails e encontrar pessoas.

Você vai precisar da assinatura de emails com o texto em html, não em imagem, para que possa ser copiado ou clicado e se adapte aos tamanhos de telas.

Uma assinatura de email feita em imagem (jpg ou png ou gif) na horizontal, por exemplo, pode ficar ilegível no celular.

A sua identidade visual pode servir neste momento.

Você vai precisar criar o contato do email antes, claro. Isso você vai resolver com o seu host, que é quem vai hospedar os seus dados.

Pode ser o mesmo servidor do seu site, se você já tiver um, ou você pode ter só o email corporativo, se preferir começar sem o site, só usando suas redes sociais, por exemplo.

Eu gosto muito do GSuite, que funciona como o Gmail.

Uso este mesmo tendo o servidor do meu site, acho que ele organiza melhor as mensagens que recebo e me alivia 99% do spam.

Para se encontrar com as pessoas, mesmo nos dias de hoje, onde os contatos estão no celular, é importante deixar um cartão de visita (ou alguma outra alternativa) para que a pessoa possa anotar mais tarde.

Cada área com a sua criatividade possível: marcador de livro para um coach ou para uma editora, cartão postal para uma loja, talvez também para um fotógrafo. Você vai conversar com um possível parceiro, fornecedor, investidor? O cartão vai ser importante.

E online, o que eu faço?

Comece com as redes sociais: capa (o topo da sua página), imagem de perfil e uma base (template) para fazer suas postagens, que você só troque a imagem e/ou o texto, com uma marca d’água ou um grafismo com o logo.

Você vai precisar de algum programa gráfico para montar a postagem, tem alguns online, o Canva, por exemplo. Tem alguns limites mas te dá uma independência para começar, enquanto não precisar de algo mais profissional e constante.

Instagram e/ou Pinterest para quem trabalha com a imagem (fotógrafos, artesãos, loja de roupa, artistas, grafiteiros, músicos etc), Facebook e/ou Google + para empresas, médicos, clínicas, lojas, profissionais autônomos, jornalistas, LinkedIn para empresas e profissionais autônomos ou contratados, Twitter para influenciadores, políticos, e outras mais específicas, para djs por exemplo.

Muda muito e algumas são transversais, conforme a sua área de atuação.

A grande diferença entre ter um site ou usar uma rede social é que no site você controla as informações. 

Você direciona a leitura conforme quiser, conta a sua história, mostra seus produtos, tem a sua loja. Você direciona o leitor para as informações principais e depois para as secundárias. Na rede social é praticamente só o atual, sua história depende da vontade do seu público de ler até o final.

Eu sempre aconselho ter um site, nem que seja simples, de uma só página e para conter o endereço oficial das suas redes sociais.

Me falaram de um tal Manual de Marca…

O Manual de Marca serve para garantir que todos os fornecedores no futuro mantenham a sua comunicação consistente: o uso das cores, como funcionam os títulos e os textos, o tipo de imagem, como usar esta marca sobre os diferentes fundos, etc.

Aconselho fazer o manual quando a empresa crescer e a comunicação sair das mãos do criador desta empresa.

No início, nem sempre é necessário e seu material vai crescer.

Quando você for fazer newsletters, impressos, banners etc com fornecedores diferentes, aí é melhor ter o manual. Mas no início você vai ter estes primeiros materiais necessários feitos e pouco vai mexer no material gráfico.

Esse conteúdo foi originalmente publicado no site Turbiani.