Desmame gentil: Entenda como dar fim ao aleitamento materno e evitar processos traumáticos

O aleitamento materno é tão importante para a saúde da mãe e do bebê que a Organização Mundial da Saúde (OMS) o recomenda como exclusivo até os seis meses de vida e complementar até os dois anos da criança. 

Amamentar não é fácil. Além de ser muito cansativo, há mães que enfrentam dificuldades com a pega do bebê, seios rachados, apojadura e demanda de cuidados necessários com a criança nos primeiros dias de vida que podem deixá-la nervosa, estressada e com problemas nesta fase.

Também existe o mito de que após a introdução alimentar o leite é apenas “água” para o bebê, o que não é verdade. 

Segundo o pediatra de Brasília Dr. Ricardo Fonseca, dos 12 aos 23 meses, 448 ml de leite materno fornece: 29% da energia, 43% das proteínas, 36% do cálcio, 75% da vitamina A, 76% do ácido fólico, 94% da vitamina B12 e 60% da vitamina C.

Isso correspondente à dose diária necessária para o bem-estar do pequeno. Mas e quando chega o momento de interromper a amamentação? Como proceder?

Hora certa

A enfermeira obstetra da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Cinthia Calsinski costuma dizer que só a mãe e o bebê sabem qual é o momento de interromper a amamentação. 

Ela acrescenta que introdução alimentar ajuda a reduzir a produção de leite porque a criança tende a mamar menos, “mas cada dupla mãe-bebê tem o seu ritmo”. 

O pediatra pode ser consultado para ajudar a orientar este momento para que ele não seja nada traumático para a família.

Vantagens da amamentação

“O aleitamento traz benefícios para ambos. Para a mãe, há menos riscos de desenvolver câncer de ovário, mama e útero, menos chances de sofrer doenças como artrite reumatoide, diabetes e problemas cardiovasculares. Já o bebê tem menos gripes, otites, diarreias, asma, obesidade, pneumonia e alguns tipos de câncer”, destaca Cinthia.

Formas de desmame

O fim da amamentação pode ocorrer de algumas formas:

  • Abruptamente: quando é preciso interromper o aleitamento por conta de alguma doença, mastite, ingurgitamento ou outro motivo;
  • Gradualmente: quando a mãe tem de retornar ao trabalho com o fim da licença-maternidade e pode ir retirando o leite com bombinha para que a produção pare aos poucos;
  • Gentil: quando as mamadas são interrompidas de forma gradual e trocadas por momentos de prazer com a criança, como uma brincadeira, contação de histórias ou estar junto;
  • Natural: quando o bebê deixa o peito por vontade própria.

Conceito de desmame gentil

O desmame gentil visa o respeito à criança e à manutenção do vínculo afetivo. A mãe que amamenta em livre demanda precisa de um pouco mais de atenção aos horários da criança para conseguir ser bem-sucedida.

O primeiro passo é começar a substituir alguma mamada por uma refeição, lanchinho ou brincadeira. No início, a criança pode ficar irritada e até rejeitar o petisco, mas é natural.

Conforme isso se tornar rotina, ela passa a entender que terá menos peito e mais momentos com a mãe.

O pai tem papel fundamental, pois pode ser parceiro na hora de alimentar ou fazer o bebê dormir — momentos que geralmente são associados ao seio.

A participação dele também ajuda a dar segurança para a criança de que ela não precisa do peito para conseguir adormecer, por exemplo, além de aumentar o vínculo afetivo entre eles.

O pediatra e o nutricionista devem ser consultados para orientar também sobre a necessidade de oferecer fórmula ou complementos vitamínicos que garantam a correta nutrição do pequeno pós-amamentação.

Texto: Gear Seo

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