Como a crise do coronavírus afetou o mercado imobiliário

As expectativas do mercado imobiliário para 2020, ainda no final de 2019, eram altíssimas, tanto que a recuperação do setor, que sofria há longos anos, havia deixado de ser uma esperança e se tornado uma realidade.

Porém, as chances de comprar um imóvel barato e ter as vendas novamente impulsionadas voltaram a cair com a chegada do novo coronavírus.

O cenário era tão otimista que bancos privados, seguidos da Caixa Econômica Federal, baixaram consideravelmente as taxas de juros de financiamentos imobiliários, ainda no final de 2019.

O setor foi considerado um dos principais motores da economia nacional para 2020, com uma alta prevista de 3%.

Porém, com a chegada do COVID-19 muitos serviços tiveram suas atividades suspensas, inclusive, as vendas de imóveis, realizadas presencialmente, como nos stands. Mas, mesmo com essa paralisação por conta do distanciamento social, as obras dos empreendimentos continuam, uma vez que não pode haver interrupção total do setor.

Influência de outros setores no mercado imobiliário

Mesmo o mercado imobiliário mantendo as obras e algumas das construtoras e imobiliárias conseguindo fechar negócio de maneira virtual, a incerteza do atual momento afeta diretamente as compras de propriedades durante o período de isolamento social — e, talvez, até depois. 

Mesmo as taxas de juros se mostrando mais atrativas, o que encoraja os consumidores a darem entrada em um financiamento imobiliário, há uma grande incerteza relacionada à economia nacional, frente aos alertas de aumento do número de desempregados, por conta da pandemia.

O receio afeta, ainda, o mercado da construção civil, atualmente responsável por cerca de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) e mais de 5% das contratações com carteira assinada em todo o País.

Dados do Secovi-SP, sindicato do mercado imobiliário, mostram que era previsto um aumento de 10% nas vendas de propriedades apenas em São Paulo. 

Outra incerteza que ameaça o setor é a do controle da COVID-19. No cenário atual, não é possível fazer previsões, uma vez que a situação pode mudar a qualquer momento, abreviando o distanciamento social ou, ainda, estendendo-o.

A esperança está sendo mantida com base nos acontecimentos da China, epicentro do novo coronavírus, que conseguiu controlar a contaminação.

Aluguéis

Com a suspensão de serviços e muitas empresas adotando o sistema de home-office, prédios comerciais suspenderam a cobrança dos aluguéis. O mesmo aconteceu com os shoppings, que não cobrarão a mensalidade de suas lojas durante a pandemia.     

Nem tudo está perdido

Uma pesquisa realizada pela Brain Inteligência Corporativa apontou que 45% dos interessados em comprar um imóvel neste ano desistiram da ideia, temporariamente, por conta do vírus.

Por outro lado, 55% afirma manter o desejo de adquirir uma propriedade, o que faz com que o setor ganhe um cenário mais otimista dentre a atual realidade.

Outro dado que faz com que o mercado imobiliário e da construção civil não percam as esperanças são as pessoas que ainda mantêm o interesse em comprar uma propriedade dentro dos próximos 12 meses: 33% dos entrevistados.

Outros 17% planejam realizar a aquisição dentro de 24 meses e 50% pensam em postergar a compra, mas sem anular totalmente as chances de realizá-la dentro de dois anos.

Previsão de ações das incorporadoras

Neste cenário, não é só a ação dos compradores que vão definir o futuro do setor. As incorporadoras também estão estudando as medidas a serem tomadas durante o período de isolamento social.

Delas, 35% pretendem interromper os lançamentos de empreendimentos por tempo indeterminado. Por outro lado, 25% adiarão por 60 dias, 18% por 120 dias e 13% não fará nenhuma suspensão nas datas.

O que pode ser feito durante essa pausa

Especialistas no setor imobiliário aconselham as incorporadoras a aproveitarem o momento e estudarem, mais a fundo, o que seu público-alvo deseja ou precisa. Com isso, aprofundar os estudos em projetos diferenciados e, assim, conseguir ganhar ainda mais destaque dentre seus concorrentes.

Outra opção é continuar estimulando a aquisição de imóveis por meio das ferramentas on-line.

Com os avanços tecnológicos, o setor também conseguiu se adaptar e, atualmente, é possível fazer uso de plataformas mobile que gerenciam as vendas e apresentação de apartamentos de maneira 100% digital. 

Esse é um momento para se explorar ainda mais as ferramentas tecnológicas, considerando, ainda, um público que está cada vez mais conectado.

Diminuir as burocracias e os processos atualmente exigidos para a compra de um imóvel pode ser uma chance de estimular, ainda mais, os compradores — especialmente aqueles que não tem tempo suficiente de se dirigir até um stand de vendas.

Com isso, é possível, ainda, dar início a uma nova maneira de consumo relacionado ao setor. Com as vendas facilitadas, as chances de atrair um público ainda maior e movimentar o mercado imobiliário também são maiores. 

  Texto: Gear Seo

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