Conheça os materiais alternativos que têm mudado o ramo fashion

Discussões sobre o impacto das ações humanas no planeta já conquistavam espaço antes da atual pandemia provocada pelo coronavírus.

Agora, quando somente a espécie humana se encontra afetada pelo novo vírus, surgem os questionamentos sobre a necessidade de rever hábitos e modos de produção.

Uma das áreas que provoca impactos relevantes no planeta é a indústria da moda. 

Tecidos são tingidos com substâncias derivadas do petróleo, combustível não-renovável, há um intenso gasto de água e eletricidade, sem falar que o transporte de roupas aumenta a emissão de dióxido de carbono, um dos principais responsáveis pelo aquecimento global.

Outra questão é o tipo de material escolhido para as roupas. Hoje, dificilmente um casaco resistente não terá componentes petroquímicos em sua composição. 

No fim de 2019, uma marca holandesa anunciou a criação da “jaqueta mais resistente do mundo”, cuja parte externa é feita de uma fibra até 15 vezes mais forte do que o aço, o que a torna impermeável para rasgos, deformação e força bruta.

A Holanda possui um museu dedicado exclusivamente à moda sustentável, fortemente alicerçado no conceito “fashion for good”.

O conceito de sustentabilidade se refere à capacidade de sustentação ou conservação de um processo durante um prazo maior. Essa ideia é cada vez mais buscada por empresas do ramo da moda a partir da consolidação de atitudes “eco-amigáveis” como algo distintivo no mercado.

Técnicas inovadoras

Entre as novas técnicas que vêm se destacando na indústria têxtil está a impressão 3D. Além de customizar e reduzir o tempo necessário para a produção do tecido, essa metodologia reduz o descarte de resíduos materiais e aumenta o desempenho das peças, já que permite a realização de todos os tipos de ajustes e implementações.

Uma das novas tendências é empregar materiais recicláveis como matéria-prima dos vestuários, calçados e acessórios. Um exemplo são os poliamidos biodegradáveis, material que se decompõe em três anos, se descartado corretamente.

Outra inovação é a criação de tecidos a partir da atividade de bactérias. Esses micro-organismos podem criar materiais ecológicos, chamados “biotecidos”, semelhantes ao couro, só que biocompostáveis. Além de reduzir impactos ambientais, tecidos recicláveis significam uma diminuição dos custos de produção.

Além de ter a sua confecção ecologicamente menos impactante, tais tecidos apresentam outras vantagens, como maior respirabilidade, propriedades antibactericidas e boa absorção de umidade.

Nanotecnologia

Outra possibilidade cada vez mais procurada no mercado são os tecidos nanotecnológicos.

Produzidos com técnicas capazes de manusear materiais de dimensões microscópicas, como moléculas e átomos, esses produtos são mais finos e macios, o que lhes dá melhor caimento. Além disso, oferecem controle térmico, função repelente e proteção ultravioleta.

Ao promover a fusão ou implementação de elementos aos fios e às fibras, a nanotecnologia permite a criação de peças melhores para determinadas funções.

Chamados de “tecidos inteligentes”, as roupas produzidas com essa técnica oferecem mais segurança, são mais macias e com melhor caimento.

Um exemplo de tecido “biointeligente” é o antichamas, feito com materiais pouco suscetíveis à combustão e bastante usado por profissionais como os bombeiros.

Os vestuários antiodorizantes também são outra inovação da nanotecnologia, que, ao entrar em contato com a pele, usa microcápsula de flores para liberar um aroma agradável, evitando a permanência do suor e do odor sobre o corpo.

A nanotecnologia vem permitindo avanços inacreditáveis, como a produção de tecidos capazes de medir o nível de estresse de seu usuário.

Produzido por alemães, esse tecido tem sensores de prata para verificar a tensão dos músculos de quem o usa. A novidade vem sendo usada, principalmente, por atletas profissionais.

Outra inovação são os materiais que detectam o nível de poluição do ambiente ao redor.

A partir da utilização de sinais de alerta implantados por nanotecnologia em suas fibras, esse tecido mede o nível de dióxido de carbono no ambiente, traduzindo-o em cores: quando fica rosa, a fibra indica baixo grau de poluição. Já a tonalidade cinza indica altos pontos de impureza.

Texto: Gear Seo

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