Conheça a história do absinto, bebida mais polêmica da história

Com um teor de álcool que pode chegar a 70%, o absinto é uma das bebidas alcoólicas mais desafiadoras inventadas pelo homem.

Ele ficou conhecido como “fada verde” entre em rodas de artistas, chegando a ser protagonista da boemia nas ruas parisienses de Montmartre, ao lado de Van Gogh, Toulouse Lautrec, Pablo Picasso, Édouard Manet, Oscar Wilde, entre outros.  

Apesar de ter se popularizado na segunda metade do século XIX, a bebida foi proibida na França em 1915, acusada de provocar alucinações. Outro possível motivo para tal proibição foi a pressão feita pelos produtores de vinha, que estavam incomodados com o sucesso do absinto e receosos de perder clientela.

A bebida só foi permitida no país novamente em 1988, quando os cientistas constataram que o absinto não era mais perigoso do que nenhuma outra bebida alcoólica.

Até hoje, a França tem entre suas atrações turísticas “a rota do absinto”, que reúne cidades francesas e suíças que construíram suas identidades a partir de sua história com a bebida.

As visitas permitem aos visitantes conhecer destilarias e plantas que produzem o líquido. O álcool de beterraba ou o vinho são os mais usados para a produção dessa iguaria no país. 

A origem histórica

A palavra “absinto” tem origem na palavra grega “apsinthion”, que significa “intragável”. Essa erva era usada no século XV, na Grécia, como medicação para diferentes tratamentos. Os médicos da época recomendavam ingerir a erva após deixá-la de molho em vinho durante algumas horas.

A presença dessa bebida alcoólica já era vista no Império Romano, quando competidores bebiam um gole de absinto antes das corridas de bigas, a fim de lembrar que as vitórias também têm um gosto amargo.

A bebida só parou de ser um produto caseiro em 1792, tornando-se uma medicação oficial graças a Pierre Ordinaire. Após provar a receita preparada por uma de suas irmãs, o médico francês criou o seu “elixir”, misturando anis, melissa, hissopo, coentro e outras ervas locais. 

A partir da mistura de ervas, Pierre Ordinaire conseguiu reduzir a extrema amargura que caracterizava a bebida. Cinco anos depois, um homem de negócios chamado Major Dubied comprou a receita do médico e começou a produzi-la em larga escala na Suíça.

Além da influência de Pierre Ordinaire, outra razão para a forte ligação entre o absinto e a França é o fato da bebida ter se tornado popular entre soldados franceses. Foram eles que trouxeram-na para os cafés em Paris, após conhecerem-na em missões colonialistas realizadas no Norte da África.

O ritual

O nome do ritual tradicional para se beber absinto é “La rouche”. A tradição consiste em pegar uma taça contendo a bebida e colocar uma colher sobre ela, em posição horizontal. Nesta colher, deve-se acrescentar um cubo de açúcar e pingar água gelada sobre ele.

O efeito visual pode dar uma sensação psicodélica, já que o açúcar se infiltra lentamente na bebida, deixando-a com uma cor turva. Reza a lenda que a “chuva de água fresca” desprende os óleos essenciais da erva, provocando o verdadeiro efeito do absinto.

A inspiração da fada verde

Embora tenha sido acusado de causar delírios e alucinações em quem o consumia, o absinto era, para os artistas renomados da Belle Époque em Paris, no início do século XX, uma maneira de atingir a inspiração necessária para a inovação artística.

Além disso, a bebida também significava aos vanguardistas quebrar as concepções morais e sociais forçadas pela sociedade na época, sendo elemento importante na criação de inúmeros movimentos, como o simbolismo, o surrealismo, o modernismo, o impressionismo, o pós-impressionismo e o cubismo. 

O absinto foi elemento artístico fundamental para diferentes escritores, como Charles Baudelaire.

Considerado pai do simbolismo na França, ele chegou a escrever que seus olhos ansiavam beber “nessas piscinas verdes da distorção”. Já o poeta Arthur Rimbaud via o absinto como ferramenta artística, capaz de provocar desorientações que dariam luz à poesia, considerada por ele uma alquimia.

Mesmo sendo chamada de “fada verde”, essa não é a única cor em que é possível encontrar absinto. Mesmo que a sua matéria-prima, a erva Artemísia absinthium, possua tujona, composto químico capaz de bloquear alguns neurotransmissores, o efeito do absinto pode ser exagerado pela mística criada em torno da bebida.

Texto: Gear Seo

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