Como identificar notícias falsas sobre informações científicas na internet

Quando notícias falsas, informações incorretas e fatos “alternativos” estão por toda parte, ler as notícias e se informar pode ser um desafio. 

Além de haver muita desinformação sobre a pandemia de coronavírus, as mudanças climáticas e outros tópicos científicos que circulam pelas mídias sociais, você também precisa ler histórias científicas, mesmo publicações conhecidas, com cautela.

Já vimos manchetes sugerindo que as vacinas contra o coronavírus são iminentes, enquanto os cientistas tentam desesperadamente gerenciar as expectativas de que é mais provável que demore mais de um ano para que as vacinas estejam adequadas para uso.

Então, como ler as notícias científicas para ver além do sensacional e encontrar os fatos?

Em um estudo recente, foram analisados 520 artigos acadêmicos e artigos da mídia que relataram suas descobertas para traçar como a apresentação do conhecimento científico passa dos pesquisadores para o público em geral pela mídia.

Foi descoberto que o conhecimento científico é reproduzido, mas na maioria das vezes é reinterpretado e seu significado é frequentemente perdido na tradução.

Com base neste estudo, há pontos importantes que os leitores das notícias podem fazer para identificar quando a ciência está sendo relatada de maneira enganosa ou imprecisa e chegar ao que a evidência realmente mostra.

Informações adquiridas na pesquisa

Na pesquisa, foi observado que a transformação de conteúdo pode ocorrer de várias maneiras. 

O foco principal de um estudo geralmente muda de uma maneira que faz suposições sobre como os resultados podem afetar as pessoas, mesmo nos casos em que esse não era um objetivo da pesquisa.

A linguagem altamente técnica pode ser alterada para frases mais comuns, mas também pode haver descrições mais evocativas ou sensacionais. 

Cartas e gráficos são substituídos por imagens que fazem com que os artigos pareçam mais relacionados à experimentação ou aplicações humanas, mesmo que esse não seja o caso.

Um exemplo é um relatório no site Mail Online de 2016 que dizia que os implantes cerebrais poderiam, em breve, nos ajudar a desenvolver a visão noturna de super-heróis.

O relatório afirma que “os cientistas usaram implantes cerebrais para dar aos ratos um ‘sexto sentido’ que lhes permite detectar e reagir à fonte de luz normalmente invisível”. 

Acrescentou que tornaria “possível que o cérebro adulto se adaptasse a novas formas de estímulo e abriria a possibilidade de permitir que os humanos adquirissem uma variedade de sentidos.

Uma revelação emocionante, de fato. Mas se esse foi um desenvolvimento tão inovador e impactante, por que tão poucos outros editores de notícias o cobriram?

A pesquisa em que a história se baseou foi publicada originalmente no Jornal por uma equipe de cientistas. 

O trabalho deles explorou a facilidade com que você pode alterar o processamento sensorial de ratos adultos implantando um dispositivo cerebral para ensiná-los a identificar a localização das fontes de luz infravermelha. 

Surpreendentemente, os ratos implantados aprenderam a fazê-lo em menos de quatro dias.

Os cientistas que conduziram a pesquisa sugeriram que suas descobertas poderiam ter implicações importantes para a neurociência básica e a medicina de reabilitação. 

No entanto, o artigo do Mail Online levou isso a outro nível e interpretou como a possibilidade de dar às pessoas uma série de sentidos sobre-humanos.

Por esse motivo, é essencial procurar mais fontes para certificar que as informações são verdadeiras ou se foram adaptadas.

Passos para ler como um cientista

Então, como é possível ler dessa maneira? Com base na pesquisa, há seis etapas para ajudá-lo a ler de maneira crítica ao se envolver com informações científicas. São elas:

  • Ter ciência de que pode haver interpretação ou adaptação do conteúdo;
  • Ter atenção com informações extraordinárias;
  • Verificar a presença de detalhes;
  • Verificar a presença de referências e links;
  • Verificar se há aspas e citações ou só uma releitura do artigo;
  • Certificar que outros locais também transmitiram a informação.

Assim, o primeiro passo é ciente de quão importante a informação na fonte original pode ser reinterpretada ou modificada, dependendo do que um jornalista entende ou escolhe apresentar. Também é possível que haja ajustes para facilitar a compreensão.

Em particular, você deve prestar atenção a afirmações grandes ou surpreendentes que podem ser exageradas (como dar às pessoas um “sexto sentido”). Tais alegações extraordinárias requerem evidências.

Verifique quão precisos são os detalhes apresentados no artigo sobre a pesquisa. Dizer que um experimento provou um fato específico é muito mais forte do que dizer que algo pode acontecer no futuro.

Procure uma referência ou um link para a fonte original no relatório que está lendo, como os fornecidos. Se houver, é mais provável que o jornalista tenha lido a pesquisa original e a entenda, deixando ainda a fonte para verificação.

Tente verificar se os argumentos do artigo são dos cientistas que realizaram a pesquisa ou de terceiros. Isso pode significar procurar citações ou comparar com o trabalho de pesquisa original, se for possível.

Veja se outros lugares estão relatando as mesmas histórias. Se apenas um veículo de notícias estiver cobrindo uma “inovação incrível”, talvez seja hora de aplicar um pouco mais de ceticismo.

Por fim, o desenvolvimento dessas habilidades pode ajudá-lo a discernir em quais fontes você deve ou não confiar e como identificar quando os pontos de autoridade exageram ou interpretam mal  os fatos.

Esse texto foi desenvolvido pela equipe do blog Real secure web, onde você pode encontrar centenas de conteúdos informativos.

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